terça-feira, 23 de julho de 2013

Definhando



Dia frio... Estou observando cada segundo como se fosse o ultimo. Minha cabeça, meus pés, meus olhos e minhas costelas doem.
Tudo em mim parece ferido, enquanto tudo ao meu redor parece nunca ter sido vivenciado. Minhas unhas ficam cada vez mais fragilizadas e enquanto minha respiração vai se esvaecendo, minha voz vai caindo.
Só tenho pensamentos.

Eu hoje queria viver intensamente, amar e sorrir. Correr e pular. Sentir o abraço quente de alguém... Mas o que tenho agora é o peso do mundo dentro dessa enxaqueca infernal.
A porta do meu quarto está rangendo, pois o vento a está movimentando. Meus cães choram através de uivos, enquanto meu pobre gato preto, vendo meu lento fim, fica com seus pobres olhos amarelos esbugalhados.

Como se eu houvesse brigado com um lobo faminto, milhões de marcas aparecem em mim. Os arranhões nas pernas e no pescoço estão profundamente visíveis.
Na noite anterior consegui dormir. Estava parecendo a ultima antes de eu partir para sempre.

Há sangue saindo de minha garganta e molhando meus lábios trêmulos. No meu ouvido, consigo ouvir apenas um zumbido distante. Estou sentindo as batidas de meu coração frearem com calma, é agonizante, mas elas freiam assim, para que meu corpo não se dilacere.

2 comentários:

  1. Belíssimo poema! A solidão, o spleen romântico, a melancolia e a dor existencial versados inefavelmente. É impressão minha ou você gosta de Edgar Allan Poe e Charles Baudelaire??
    E agradeço pelos gentis comentários em meu blog...

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    1. Obrigada Senhor Tempest!
      Boudelaire eu não li muito ainda, mas Allan Poe é muito legal. Sempre que possível estarei lá. Abraços.

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