domingo, 31 de março de 2013

Florbela Espanca


Hoje darei uma dica de autora para você aproveitar mais a literatura.

Todos sabemos, que a beleza não está apenas nas cores expostas em um quadro ou na música, mas também nas palavras em livros, onde sua maioria, encontra-se empoeirada. Citarei aqui, a biografia de uma grande poetisa.


Florbela Espanca, batizada como Florbela D'Alma da Conceição Espanca nasceu em 1894 na cidade de Vila Viçosa em Portugal. Desde a infância, a figura do seu pai foi-lhe de grande estima, mesmo sendo Florbela concebida num relacionamento clandestino.

Seu pai, João Maria Espanca, era um Don Juán, que manteve com a mãe de Florbela um relacionamento amoroso. Este deu origem a Apeles Espanca, nascido em 1897. Este relacionamento extramatrimonial era conhecido pela esposa oficial de João Maria, que não podia lhe dar filhos. Desta forma, Florbela foi criada passando meses com a mãe biológica e meses com a madrasta.
A pedidos de um grupo influente de Vila Viçosa, João Maria só registrou Florbela em cartório dezoito anos após sua morte e Apeles em 1949.

Em outubro de 1908, a família Espanca muda-se para Évora, para que Florbela desse continuidade a seus estudos no liceu André de Gouveia (mesmo edifício da Universidade de Évora).
Florbela começa sua carreira colaborando com o Jornal de Notícias de Évora, com um soneto chamado O espectro, dedicado à Julia Alves.

No dia 08 de dezembro de 1913, acontece o casamento civil de Florbela com Alberto Moutinho, seu primeiro namorado. Depois de casados, mudam-se para a cidade do Redondo, mas voltam para Évora em 1917.
Florbela desejava aprofundar seus estudos querendo ir para Lisboa e lá fazer faculdade de letras, mas se matriculou em direito. Alberto era contra seus estudos, mesmo assim, ele e Florbela passam alguns dias na Cidade, mas com o relacionamento desgastado e o encantamento por Lisboa, Florbela decide ficar na cidade e Alberto vai trabalhar no Algarve.

Florbela decide interromper seus estudos na faculdade de direito e um ano mais tarde, sofre as consequências de um aborto involuntário.  Em abril de 1921, apaixonada por Antonio Guimarães e descontente e desgastada pela sua relação com Alberto, Florbela pede divórcio.
Junho de 1921, casa-se com Guimarães. Dois anos depois, Florbela publica Livro de Sóror Saudade.

Seu novo marido Antonio Guimarães era um homem habituado a disciplina militar, por isso possuía uma personalidade violenta, então teve pouca capacidade de entender a sensibilidade que Florbela tinha. O que Guimarães fez, foi transformar a vida de Florbela num grande pesadelo, chegando a bater-lhe. Fragilizada, conheceu Mário Lage, um médico que acompanhou-lhe no seu período de melhora. Alegando maus tratos, em 1925 foi decretado seu divórcio com Guimarães. Esse fato influenciou bastante negativamente a relação familiar de Florbela, especialmente com seu pai e seu irmão.

Mário assume seu amor pela poetisa, casando com ela em outubro do mesmo ano. Mudam-se para Matosinhos.
Antes de 1927, Florbela já preparava aquela que viria ser sua ultima obra, Charneca em flor

Com a morte de Apeles espanca em junho do mesmo ano, Florbela fica, mais uma vez, muito doente e começa a escrever uma obra narrativa (publicada após sua morte), As máscaras do destino, em homenagem a ele.
Desiludida com a morte do seu irmão e debilitada por sua doença de nervos, Florbela procura forças, mas mesmo antes de sua morte física, declara no dia 2 de novembro de 1930, no seu diário: - Não há gestos novos nem palavras novas.

Florbela foi encontrada morta no dia 08 de dezembro de 1930. Foi revelado que a morte foi causada por ingestão exagerada de comprimidos. A poetisa cometeu suicídio em seu 36º aniversário.

Texto extraído do livro: As Máscaras do Destino


Interrogação

Neste tormento inútil, neste empenho 
De tornar em silêncio o que em mim canta, 
Sobem-me roucos brados à garganta 
Num clamor de loucura que contenho. 

Ó alma de charneca sacrossanta, 
Irmã da alma rútila que eu tenho, 
Dize pra onde vou, donde é que venho 
Nesta dor que me exalta e me alevanta! 

Visões de mundos novos, de infinitos, 
Cadências de soluços e de gritos, 
Fogueira a esbrasear que me consome! 

Dize que mão é esta que me arrasta? 
Nódoa de sangue que palpita e alastra... 
Dize de que é que eu tenho sede e fome?! 





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