sábado, 10 de março de 2012

Medo de mim


Lentos foram os momentos de sofrimento, meu único segredo era um livro negro.
Senti os olhos esbugalhados como os de uma criança com medo da noite. Cães latiam e gatos miavam em busca de um ruído respiratório, porém, o que falava alto não era nada a mais que a voz do silêncio.
Os desenhos simbólicos apodrecem junto a esta carne, onde o sangue escorre pelos poros.
Após três horas de chamas, as páginas começaram a ser queimadas. Resquícios? Ninguém sentiu mais nada.

Tenho medo do que escrevo,
medo do meu reflexo no espelho.
Quando eu estiver vestida de preto
não me chame, pois não lhe vejo.
Aramaico mistura-se com latim,
demônios com querubins.
Padres, bruxos, pastores, espiritas,
para cada um, uma diferente saída.
Ou você aceita ver, ou...
Apele para morrer!

4 comentários:

  1. Que história e que poema forte. É como se fosse totalmente real

    ResponderExcluir
  2. É tão real quanto parece senhorita!
    Obrigado pela visita.

    ResponderExcluir
  3. Esse é seu??
    Muito bom! Consigo ver tudo que descreves nele.
    ADOREI!
    xerooOO

    http://paty-as-avessas.blogspot.com/

    ResponderExcluir